Atualização das Metas de Leitura para 2020 (O RETORNO)

Eu nem consigo acreditar que a essa altura do ano realmente li 6 dos 10 livros que estabeleci nessa meta!!!! Tenho quase certeza que é a primeira vez que isso me acontece em todos esses anos nesta indústria vital, então é motivo pra muitas comemorações.

Como Água Para Chocolate – Laura Esquivel/Chocolate – Joanne Harris 

Continuo encantada com o twitter da Joanne Harris, de modo que acho que tenho mais chances de ler Chocolate entre esses dois. Também dei uma lida no começo do livro e foi a coisa mais doce do universo, então desculpa Como Água Para Chocolate, mas vai ser Chocolate mesmo esse ano.

O Castelo de Vidro – Jeanette Walls

Vocês já cansaram de me ver comemorando o desencalhamento desse livro, então vou me abster de comentar o longo tempo que ele passou na minha estante e o tamanho do milagre que foi essa leitura. Mas é muito engraçado pra mim que um livro que eu achava que iria gostar aos 10 anos de idade tenha sido uma leitura tão boa como adulta, mas foi.

Pessoas Normais – Sally Rooney

Devidamente lido e amado, com sua respectiva adaptação para série de TV assistida e idolatrada.

A Moradora de Wildfell Hall – Anne Brontë

Talvez eu assista a adaptação ainda esse ano pra poder passar mais tempo no mundinho dos romanções vitorianos.

Escola de Sabores – Erica Bauermeister

Era e continua sendo a leitura com menor prioridade nessa lista, mas continuo acreditando nesse milagre.

Emma/Juliet, Nua e Crua/Do Amor e Outros Demônios

Eu já esperava que entre esses três o Juliet fosse o que eu conseguiria ler, porque a minha saudade do Nick Hornby estava maior do que a de todos os outros e nosso reencontro foi tão gostoso quanto eu imaginava. Emma provavelmente vai ser adiado pro ano que vem, mais uma vez, porque quero muito ler Persuasão em inglês na minha edição chiquérrima esse ano.

A Festa de Babette – Karen Blixen

Lido e amado.

Americanah – Chimamanda Ngozi Adichie

O tamanho desse livro me deixa um pouco intimidada, mas ele ainda é a segunda maior prioridade entre os livros restantes nessa lista, atrás apenas de Chocolate.

Contract With God/Maus/An Age of License

Maus foi uma leitura muito incrível e intensa e eu não esperava que acontecesse no momento em que aconteceu, mas que bom que finalmente nos encontramos. Já sobre Contract With God, que comentei na atualização anterior que eu tinha começado a ler e achado bem pesado, não sei quando vou ter disposição pra terminar, porque é um tipo de peso quase apelativo, apesar de ter traços muito bonitos.

O Guia do Mochileiro das Galáxias/O Restaurante no Fim do Universo – Douglas Adams

No momento estou com zero interesse em ler essa série, mas vamos ver se ele se renova até o fim do ano, porque os livros são tão curtinhos que seriam perfeitos pra esse período.

Menções Especiais

No post original eu tinha colocado Noites de Alface da Vanessa Barbara e A Amiga Genial da Elena Ferrante como menções especiais pra caso sobrasse um espacinho nessa meta, mas definitivamente não estou no momento pra esses livros, como suspeito que já sabia mesmo quando os coloquei naquele post. Um dia volto pra eles.

Leituras para concluir ainda esse ano: A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes da Suzanne Collins e Uma História da Leitura do Alberto Manguel.

 

 

Lido e Lendo: Juliet, Nua e Crua – Nick Hornby e Maus – Art Spielgeman

Juliet, Nua e Crua – Nick Hornby

Já fiz um post bem completo Juliet, Nua e Crua no começo da leitura e, por isso, não queria fazer uma resenha longa sobre ele. Nesse post eu vou apenas comentar algumas impressões sobre a metade final do livro e sobre as inúmeras coisas que ele me fez pensar e que valeram muito mais do que o enredo e a escrita em si, já que o enredo eu já conhecia do filme e a escrita do Nick é a mesma dos outros livros dele que já li. Como eu tinha dito, Juliet, Nua e Crua é uma análise da figura do roqueiro mítico após o seu auge. No caso do Tucker Crowe, protagonista do livro, após o lançamento de um disco idolatrado pela crítica e por fãs fervorosos ele largou a carreira e passou anos se dividindo entre o álcool e os relacionamentos fracassados com mulheres que acabavam desprezando-o pelo mesmo motivo que as atraiu a ele em primeiro lugar: seu temperamento artístico.

Como o próprio Crowe reflete no livro, o tal temperamento artístico só é suportável para as pessoas ao seu redor se você produz grande arte, porque isso compensa toda a sua inabilidade geral em outros aspectos da vida. Mas quando não existe mais a grande arte e você é só um bêbado que lê romances vitorianos e é incapaz de trabalhar em um emprego de 7h às 5h as coisas ficam difíceis. De modo que o que Nick faz nesse livro é descrever, algumas vezes impiedosamente, o quão cínico e irresponsável esse homem se tornou depois de largar a carreira e de repensar até mesmo suas obras já lançadas e como ele procura redenção tentando criar e amar da melhor maneira possível o seu filho mais novo, de seis anos, que é o único dos seus 5 filhos com o qual ele realmente se sente conectado. A indiferença dele em relação aos outros 4 filhos é quase desconcertante em alguns momentos, mas compreensível, e gera uma discussão sobre o que realmente é ser pai e do quão facilmente você pode se esquivar de qualquer responsabilidade como pai na nossa sociedade.

A figura do fã também é dissecada pelo Hornby aqui, mas não é a figura que imediatamente nos vêm a cabeça quando pensamos nessa palavra, que provavelmente é uma adolescente chorando e segurando cartazes num show duma boyband (uma imagem bem estereotipada, diga-se de passagem). O fã aqui é um homem de meia-idade que se importa mais com os problemas que ele imagina que seu ídolo há muito aposentado possa ter na sua vida reclusa do que com a sua própria vida monótona em uma cidadezinha da Inglaterra. Em muitos momentos, por acreditar que realmente conhece o ídolo Tucker Crowe ele comete erros grotescos de interpretação das letras dele que mostram o quando você pode ficar cego se deixar que uma imagem criada por você mesmo sobre alguém se sobreponha aos fatos e evidências reais sobre ele. Ele também perde qualquer objetividade em relação à qualidade do trabalho do Tucker, o que é uma consequência normal de ser obcecado por algo ou alguém, e eu achei interessante ver como uma paixão que começou por conta do valor artístico de algo se transformou em um sentimento mais perverso que tem a ver com tudo, menos com arte.

Por fim, a figura que une esses dois de forma tangível é a Annie, que namora com o Duncan-fã-de-Tucker há muitos anos e que começa a se corresponder por email com o próprio Tucker depois que ele lê uma resenha de um disco de versões demo de suas canções que ela escreveu em resposta a uma resenha completamente desvairada do namorado. A Annie está às voltas com a sensação de tempo perdido, com o desejo de ter filhos que parece impossível de realizar aos quase 40 anos, com o desprezo crescente que sente por Duncan e com a banalidade da sua vida no momento. E é desabafando sobre tudo isso com Tucker e contrastando a sua vida com a dele que ela começa a descobrir o que ela quer dali pra frente. O bom da Annie é que ela é altamente identificável em sua completa normalidade e faz você se perguntar as mesmas coisas que ela se pergunta ao longo do livro.

O final não foi nada satisfatório pra mim porque pareceu muito brusco, apressado e superficial. Todas essas questões interessantes que foram sendo levantadas acabaram abandonadas no ar no fim e os personagens tomaram algumas decisões bem questionáveis. De todo modo, o livro é muito divertido, como eu já esperava, e vale a pena por tudo que me fez pensar e pelo modo como o Nick sabe escancarar o quanto o nosso cinismo pós-moderno é bobo e falso.

Maus – Art Spiegelman

Maus é um daqueles livros que você sente que tem a obrigação de ler. Mesmo que não costume ler HQs, mesmo que não se interesse tanto por Segunda Guerra Mundial, ele parece necessário. Pra mim que me interesso pelas duas coisas ele é mais do que essencial, então é difícil entender porque só comecei a lê-lo agora. No momento estou mais ou menos na metade e já é uma das histórias de sobreviventes do Holocausto mais pungentes que eu já li (e olha que já li muitas).

Como todo mundo já sabe, Maus narra a história de Vladek Spiegelman, pai do autor, que foi um judeu polonês que sobreviveu à Segunda Guerra Mundial apesar de todas as inúmeras coisas terríveis que viveu. O livro começa com o Art perguntando a um Vladek já velho se pode contar suas experiências durante a guerra para que ele as escreva em seu novo livro. Os momentos em que o Vladek idoso conta sua história e se estranha com o filho adulto se alternam com a própria narração da sua vida durante a guerra e essa relação entre os dois é, inesperadamente, quase tão interessante quanto o seu relato de sobrevivência. Nos desenhos os judeus são retratados como ratos, os alemães como gatos e os poloneses como porcos, em uma alegoria bem clara ao papel de cada um na história.

Vladek inicia sua história contando como conheceu e se casou com a mãe de Art, uma judia de família abastada, como tiveram seu primeiro filho e outros acontecimentos comuns. Mas a guerra não demora a bater a sua porta, levando-o para servir nas trincheiras e depois para um campo de trabalhos forçados. Depois, ele volta para o seio da família (por muitos golpes de sorte) e passa a viver a decadência financeira causada pelas restrições dos nazistas aos judeus, e o dia a dia de desaparecimentos, espancamentos e fuzilamentos/enforcamentos de amigos e conhecidos. Tudo isso é contado por ele em um tom de quem conta uma história há muito distante, que talvez nem seja a mais importante da vida. Os remédios que toma no momento e suas picuinhas com a segunda esposa lhe parecem tão importantes quanto, e isso dá à história um tom realista e sem pieguice que eu nunca tinha visto em livros do tipo.

Por enquanto o livro tem tido ritmo, organização e traço muito bons, mas a leitura é difícil porque os acontecimentos são muito pesados. Muitas vezes me vejo tendo que parar pra desopilar porque acontecem coisas horríveis o tempo todo e se você não desvia os olhos delas começa a parecer insuportável. Mas, como eu disse no início, é um livro absolutamente necessário e volto pra falar opiniões finais quando terminar a leitura.

Booktag Casos de Família

1. “Não foi um namoro, foi só um belisco, então vaza, vaza!” : Um livro que começa bem mas tem um fim merda.

Meu incômodo com o final de Hibisco Roxo da Chimamanda Ngozi Adichie é muito pessoal, então pensei em não citá-lo aqui e tentar lembrar de algum livro cujo final fosse inegavelmente ruim, mas acabei percebendo que é muito raro que um livro bom tenha um final ruim, de modo que fica Hibisco Roxo mesmo. Esse livro narra a história de uma adolescente que foi criada por um pai extremamente rígido e violento, que obriga a família a viver uma vida de acordo com os princípios mais tradicionais do catolicismo. As coisas começam a mudar quando a protagonista e o irmão vão passar o tempo com a tia, professora universitária, que não segue a risca o catolicismo e valoriza a cultura nigeriana. Tudo isso foi extremamente interessante e rico pra mim, além de prazeroso de ler, o problema só começou no finalzinho mesmo porque ele me pareceu apressado e forçado, quase como se a autora quisesse apresentar um final amarradinho demais e acabasse fazendo com que ele ficasse desonesto com o resto da narrativa. Quase joguei o livro na parede por causa disso quando terminei? Sim, mas isso não quer dizer que é um livro ruim.

2. “Como assim não trabalho? Cuidar do seu dinheiro é a minha profissão”: Um livro que você comprou e não leu

Agora que finalmente li a minha resposta clássica pra essa pergunta, o famigerado O Castelo de Vidro da Jeannette Walls, fiquei meio perdida e tive que olhar na estante o que tá mofando há mais tempo. Aparentemente é O Pântano das Borboletas do Federico Axat, que eu comprei há tanto tempo que ainda é produto de pedidos na revista da Avon. Auge demais. A pior parte é que apesar de tê-lo comprado há tantos anos que nem lembro eu ainda não sei do que se trata a sinopse.

3. “No teatro da vida quem faz papel de trouxa sou eu!”: Um livro que você emprestou e não devolveram

Foram muitos, mas teve um caso especialmente irritante. No longínquo ano de 2013, provavelmente, eu emprestei O Céu Está em Todo Lugar da Jandy Nelson pra uma amiga e até hoje não vi ele de novo, e gosto tanto desse livro que dei um jeito de fazer minha primeira troca no Skoob só pra conseguir outro exemplar dele.

4. “Cansei de ser santa, vou liberar geral”: Um livro que deixou com fogo no rabo

Essa pergunta é uma vergonha, mas vamos lá. Eu sou leitora casual de romances de banca e nem nego, então óbvio que vou citar um deles nessa categoria. A Lisa Kleypas é minha autora favorita do gênero e ela realmente domina a parte hot da coisa, além da parte histórica e narrativa, de modo que qualquer livro dela serviria, mas o que tem os protagonistas mais assanhados é Segredos de Uma Noite de Verão, primeiro volume da série Wallflowers, que acho que no Brasil foi chamada de As Quatro Estações ou algo do tipo. Essa série é uma delícia, todas as protagonistas são mulheres incríveis, ainda que muito diferentes entre si, e é muito interessante acompanhar como a amizade delas se mantém em meio a todas as reviravoltas na vida de cada uma delas durante os quatro volumes.

5. “Minha filha pega mais bandido que a polícia” : Um livro que todo mundo odiou menos você

A Assombração da Casa da Colina da Shirley Jackson não é meu livro preferido da autora, mas mesmo assim eu gostei bastante dele porque todas as qualidades que eu amo na escrita dela já estavam presentes nesse livro, só que um pouco menos bem desenvolvidas que em Sempre Vivemos no Castelo. Por isso eu não entendo a média de 3.5 desse livro no Skoob. Acho que muita gente foi ler o livro por causa da série da Netflix e se decepcionou porque os dois não têm muito a ver um com o outro, mas mesmo assim dava pra reconhecer as qualidades do livro como produto independente, minha gente. Outra injustiça gigantesca nas médias do Skoob é a de Luzes de Emergência se Acenderão Imediatamente da Luísa Geisler (3.4) e eu entendo que as pessoas queriam um final mais fechadinho, conclusivo, mas o livro não tem essa intenção. Ele é extremamente realista do início ao fim e se propõe a contar um período da vida dos seus personagens que não precisa terminar com uma conclusão super fechada porque não é assim que a vida funciona.

6. “Na verdade o que te incomoda é que eu sou um gay de sucesso e você é um hétero falido” : Um livro LGBT que você ama

Eu aaaaaamooooo Me Chame Pelo Seu Nome do Andre Acciman, mas essa seria a resposta mais clichê possível pra essa categoria, então vamos ignorar o fato de que ele está na minha lista de preferidos da vida (resistindo bravamente à chuva de críticas que parecem brotar de todos os lados nos últimos tempos sem muita explicação)  e pular pro meu segundo livro LGBT favorito, que é Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo do Benjamin Alire Sáenz. Eu sou muito cadelinha do Dante, que é um dos personagens mais doces e sensíveis que eu já li, mas esse livro tem vários outros pontos positivos como a trajetória de formação e autodescoberta do Ari, o romance dos dois que é super terno e tem todas as belezas e dores da adolescência lindamente retratadas, e os pais deles que também são personagens maravilhosos e estabelecem relações interessantíssimas entre si e com a sua identidade latina.

7. “Filha eu te falei, lava as mãos, passa álcool gel e elimina esse parasita da sua vida” : Um livro tóxico

Em geral quando acho um livro tóxico de verdade eu não chego a terminá-lo, mas tenho dois exemplos de livros extremamente incômodos pra mim que eu terminei mesmo assim e que às vezes me arrependo. O Peso do Pássaro Morto da Aline Bei foi um caso que eu comentei muito por aqui, mas não custa repetir. Não existe um mísero acontecimento bom em nenhuma das páginas desse livro, tudo é miséria, solidão, dor, trauma e desesperança E NÃO TEM COMO SUPORTAR ISSO. Alguém pode defender que esse livro é pesado de propósito, pra retratar uma vida destruída por um trauma, mas antes do trauma ele já era insuportavelmente pesado. A quantidade de sofrimento que acontece com a protagonista chega a aparecer apelativa, então podia ter sido narrado de outra maneira. O outro livro que só me traz lembranças ruins é Laços do Domenico Starnone. Não sei o que me deu na cabeça pra querer ler esse livro, só sei que ele mistura muita coisa que eu detesto e só podia dar merda. Pra começar o protagonista é um velho metido a intelectual que narra um casamento falido por culpa dele, e esse é o tipo de narrador que eu mais odeio. Ele também não tem um pingo de senso de humor ou ternura e me deu a sensação de ser só mais um exercício do cinismo de um escritor classe média. Um pesadelo.

8. “Querido, se continuar desse jeito, ó… vou aprontar também” : Um livro que você está enrolando para terminar

Os dois que estou enrolando pra ler e vocês já sabem são Uma História da Leitura do Alberto Manguel e A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes da Suzanne Collins. Os dois são bem longos e vocês já sabem das minhas dificuldades com livros longos, então isso explica em parte porque ambos estão em suspenso. No caso específico do Uma História da Leitura, apesar de ser um livro muito bom, ele é um livro técnico e isso significa que ele obviamente não prende a atenção o suficiente pra que você faça uma leitura ininterrupta. Já A Cantiga é um livro de ficção beeem lento, pelo menos até o ponto que li, e como eu esperava muito mais agilidade de um livro de Jogos Vorazes fiquei bem frustrada, a ponto de dar uma pausa. Mas vou retomar os dois agora, se tudo colaborar.

TBR: E-books (ou Desencalhando livros da minha estante virtual)

No começo desse ano eu fiz um post estabelecendo metas gerais pro meu ano novo literário. Gosto muito desse post porque ele foi extremamente realista e de acordo com a minha situação no momento, tanto é que consegui cumprir tudo a que me propus nele, como você pode checar aqui. Uma dessas propostas era a de ler mais e-books até o final, porque eu estava desempregada e sem condições de comprar livros físicos e como não conseguia ler e-books tinha uma sensação constante de sufocamento por me ver obrigada a ler apenas os livros que já tinha na estante e que às vezes não me interessavam no momento. Consegui finalizar três e-books até o momento e isso me deixou extremamente feliz e me apontou novas possibilidade para finalmente ler coisas que eu já queria ler há muito tempo. Por isso, agora quero organizar as minhas prioridades de leitura em e-book para poder realizar desejos literários muito antigos.

I Capture The Castle – Dodie Smith

Em geral tenho um pouco de receio de ler livros mais longos em inglês, mas estou bastante disposta a encarar as mais de 300 páginas de I Capture The Castle porque ele envolve tudo que eu mais gosto em literatura (romance de formação feminino que se passa num castelo inglês) e não tem e provavelmente não vai ter tradução em Português. E olhem essa capa! Como eu poderia resistir?

Diga aos Lobos Que Estou em Casa – Carol Rifka Brunt

Eu não gosto da capa desse livro e provavelmente foi isso que me fez ignorá-lo por tanto tempo mesmo adorando o título. Dia desses esbarrei nele por acidente novamente, depois de anos vendo-o nas estantes dos outros no Skoob, e finalmente me dei ao trabalho de ler a sinopse e ela parecia feita pra mim. Faz muito tempo que não comento aqui no blog sobre Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo, mas ele é um dos meus livros jovens preferidos e Diga aos Lobos que Estou em Casa se parece com ele (pelo menos à primeira vista) em muitos aspectos, incluindo a ambientação nos anos 80 e, mais uma vez, a formação dos jovens personagens principais.

A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes – Suzanne Collins

Já está iniciado, relativamente adiantado e comentado em post aqui no blog, mas preciso muito terminá-lo pra poder formar uma opinião sólida e escapar dos comentários mistos da internet.

Daisy Jones and The Six – Taylor Jenkins Reid

Não me lembro a última vez que testemunhei um hype tão grande (sem contar best-sellers mundiais inquestionáveis) quanto o de Os Sete Maridos de Evelyn Hugo da Taylor Jenkis Reid, mas esse hype me assustou e saturou um pouco o livro pra mim, de modo que pretendo matar minha curiosidade sobre a autora com Daisy Jones and The Six, que além ter uma ambientação que me interessa mais (o rock dos anos 70), também vai virar série com o lindo do Sam Clafflin. Tenho certo receio da estrutura de falsa biografia, porque pode dar muito errado, mas vamos lá.

As Aventuras de Robin Hood – Howard Pyle

Esse livro me despertou um interesse acidental, porque apesar de sempre ter me interessado pela história do Robin Hood eu nunca consumi muito sobre e não compraria esse e-book se ele não tivesse aparecido de graça em um daqueles surtos de bom humor das editoras no começo da pandemia. Mas ele apareceu e eu li a primeira página e já fui completamente conquistada pelo Robin e seus “comparsas” da floresta de Sherwood, então fica a expectativa de conseguir ler em breve.

Manual da Faxineira – Lucia Berlin

Minha intenção era colocar apenas cinco livros nessa lista, o que pra mim já é bem ambicioso, mas o Manual da Faxineira entra aos 45 minutos do segundo tempo porque apesar de ser o que eu menos acho que vou conseguir ler em breve ele é possivelmente um dos melhores da lista, a julgar pelo primeiro conto, que foi o único que li. Os contos tratam de pobreza e dos problemas que vem com ela, que é um tema que muito me interessa, e partem da experiência real da autora que realmente trabalhou como faxineira, então tem tudo pra eu adorar. O problema são as 461 páginas, mas fé no pai que consigo ler um dia.

O Que Eu Estou Lendo?: Juliet, Nua e Crua – Nick Hornby

Ainda na minha vibe de leituras mais leves, finalmente desencalhei Juliet, Nua e Crua da estante. Ele nem tinha sido adquirido há muito tempo, mas já estava mofando na minha lista de quero ler há anos, porque apesar de querer ler tudo que o Nick Hornby escreveu, a vida não estava colaborando muito pra eu lê-lo nos últimos tempos. Como o Nick é especialista em me fazer rir, achei que esse seria o momento perfeito pra riscá-lo da minha meta de leituras pra esse ano.

A protagonista do livro não é a Juliet do título, e sim Annie, uma mulher que namora há quinze anos com um cara chamado Duncan e trabalha num museu minúsculo em uma cidade costeira da Inglaterra. O Duncan é obcecado pelo músico Tucker Crowe, que largou a carreira nos anos 1980 depois de uma decepção amorosa que gerou o seu disco mais aclamado, o Juliet. A princípio o Duncan parece bem o tipinho de personagem masculino obcecado por cultura pop que o Nick adora escrever e usa pra explorar a diferença dos níveis de maturidade de homens e mulheres da mesma idade, mas depois a gente percebe que ele não é realmente o tipo de cara passível de amadurecimento dos quais o Nick ri com carinho e é aí que as coisas começam a ficar interessantes. Só pra dar uma ideia do clima do livro, ele começa com uma viagem do casal aos Estados Unidos, onde procuram os “marcos históricos” da vida do Tucker Crowe, como o banheiro sujo de bar em que ele decidiu abandonar a carreira e a casa da ex namorada que inspirou seu disco e eu morri de rir do absurdo dessas situações.

Estava com um pouco de medo de começar a leitura agora porque a adaptação (divertidíssima, por sinal, e com um elenco que inclui o único homem pretensioso do mundo que eu consigo amar, o lindo Ethan Hawke) ainda está muito fresca na minha memória, mas o livro já se distancia da adaptação desde o princípio pelas digressões interessantíssimas do Nick, que sempre foram a minha parte preferida dos livros dele. Eu ainda estou no começo da leitura e ele já discutiu de forma hilária (mas certeira) trocentos temas, incluindo aquela ideia de que ler livros, assistir filmes e ouvir músicas validadas pela crítica significa que alguém é inteligente. Isso é bastante questionável quando a gente pensa na quantidade de pessoas que interpretam grandes obras de arte de forma extremamente equivocada e até oposta à intenção do autor. Como brasileira traumatizada que sou, já levei essa discussão pro lado das pessoas que leem obras antifascistas e mesmo assim simpatizam com ideias e governos neofascistas (que são muitas, por sinal). O livro também entra na seara complexa dos fãs e da idolatria, discutindo seus limites e o quanto você pode perder a objetividade e até o contato com a realidade quando é fã extremado de alguém e passa a se importar mais com os detalhes da vida daquela pessoa (incluindo coisas extremamente pessoais que não deveriam lhe dizer respeito) e com as projeções que você faz dela e da sua vida do que com a arte que ela produz, nesse caso a música.

Mais do que tudo isso, no entanto, Juliet, Nua e Crua é um estudo sobre a figura mítica do roqueiro envelhecido. Todos nós temos um pai ou conhecido saudosista que idolatra essas figuras dos anos 70 e 80 como se nada feito depois do auge deles (inclusive as coisas que eles mesmos lançaram) fosse bom. O status mítico desses homens os desumaniza e o que o Nick faz aqui é humanizar um desses exemplares, discutindo as consequências que a carreira e o tal temperamento artístico tiveram na vida dele a longo prazo, principalmente na paternidade. Tudo isso é feito, mais um vez, de forma muito fluida e engraçada e apesar de fazer uma ideia de onde isso vai dar por conta do filme ainda estou muito curiosa pra ver o desenrolar de todas essas discussões e de todos esses personagens que eu já sinto como se conhecesse muito bem. De resto, só estou muito feliz por voltar ao mundinho do humor britânico.

Top 5: Autores que conheci este ano

Todo os anos eu faço esse post pra verificar os escritores que li pela primeira vez e quais eu quero continuar lendo ou não. Também aproveito pra checar a diversidade das minhas leituras pra poder direcioná-las de outra maneira caso elas não estejam muito diversificadas. Dessa vez vou deixar de lado duas das escritoras que eu mais adorei conhecer, Luísa Geisler e Sally Rooney, porque quero deixar pra falar sobre elas em outra oportunidade, junto com outros escritores jovens, mas todos os outros escritores que mais me empolgaram recentemente estão aqui.

Jeannette Walls

Como vocês sabem eu já queria ler a Jeannette há tanto tempo que nem me lembro mais e foi muito bom que a experiência real tenha feito jus às minhas expectativas. Ela tem um jeito honesto, limpo e seco de narrar que me lembra narradores clássicos de ficção americana como o Hemingway, sem que ela esteja de fato narrando histórias ficcionais. A pungência da escrita dela está nos acontecimentos dolorosos, intensos, cruéis e (muitas vezes) nojentos e nas relações de família complicadíssimas e cheias de nuances incompreensíveis pra quem vê de um ponto de vista distanciado do horror do amor familiar que ela descreve sem julgamentos. Quero muito ler Cavalos Partidos, outro livro não-ficcional da autora sobre a vida de sua avó, então aguardem mais Jeannette por aqui.

Kurt Vonnegut

Eu já devia ter lido o Vonnegut há muito tempo e provavelmente teria lido antes se soubesse o quanto ele é engraçado. Humor negro é uma das minhas coisas preferidas em literatura por conta da minha obsessão precoce com Machado de Assis, mas o Vonnegut eleva isso a um nível quase incômodo, que serve pra escancarar o absurdo da guerra. Juntando a habilidade de falar sobre um assunto sério e grave com humor sem banalizá-lo, a visão lúcida dele sobre diversos temas complexos da pós-modernidade, e o ritmo narrativo incrível, tenho motivos mais do que suficientes para querer ler tudo que for possível encontrar dele no Brasil, a começar pelo Café da Manhã dos Campeões pra reencontrar o maravilhoso alter ego do Kurt, o escritor que tem boas ideias mas não sabe escrevê-las, Kilgore Trout.

Anne Brontë

Meu amor pelo livros das outras irmãs Brontë, Charlotte e Emily, já é bem conhecido, então pra mim era praticamente impossível não gostar da Anne já de antemão. Talvez por saber que lê-la seria como voltar à minha zona de conforto e alegria dos romanções vitorianos escritos por mulheres foi que demorei tanto pra fazer a leitura, guardando o livro pro momento mais propício. Não me decepcionei porque ele é tão intenso, dramático, passional e misterioso quanto só as Brontë sabem escrever e quero muito continuar lendo mais da Anne, que é injustamente subestimada, especialmente Agnes Gray.

Karen Blixen

A Karen Blixen (ou seu pseudônimo Isak Dinesen) me despertou durante muito tempo uma curiosidade enorme não só em relação aos seus livros (que parecem todos muito diferentes entre si), mas também em relação a sua vida, que é parcialmente contada em A Fazenda Africana e que foi riquíssima. Então apesar de estar muito feliz por ter lido o poderoso A Festa de Babette, que me fez pensar sobre arte de uma maneira que há muito eu não pensava, ainda estou frustrada por não ter lido o livro autobiográfico dela pra finalmente matar essa curiosidade. Mas ele já está comprado, então espero que a leitura aconteça em breve.

Jeff Lemire

De vez em quando eu esbarro em algum escritor por acidente, um que nunca ouvi falar, e ele me parece tão a minha cara que eu acabo passando-o na frente de todas as outras prioridades de leitura, que foi o que aconteceu com o Jeff. Apesar de ele ter me feito atrasar mais ainda coisas que já estavam muito atrasadas eu fico muito feliz de ter tido um primeiro contato tão intenso com o traço seco dele, com as suas histórias de homens solitários e paisagens geladas, que me assombraram ao mesmo tempo em que me encantaram com a inesperada ternura que encontrei em algumas delas. Agora quero muito ler The Underwater Welder ou O Soldador Subaquático, cuja capa já me atormenta pela beleza estranha.

Resenha Especial: Enquanto Eu Não Te Encontro – Pedro Rhuas ou Publicação Independente, Mercado Literário e Outras Nóias

Antes de qualquer coisa, eu ainda pretendo terminar A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes da Suzanne Collins, só que depois de ler três livros pesados um atrás do outro eu estava precisando de uma folga de qualquer coisa que fosse maltratar meu coraçãozinho. Por isso, desempaquei a leitura mais leve do meu Kindle: Enquanto Eu Não Te Encontro do Pedro Rhuas.

Comprei esse livro depois de ver a capa hilária num twitter de notícias literárias chamado Sem Spoiler (que por sinal é ótimo pra saber sobre lançamentos de autores nacionais contemporâneos) e depois que o dono desse twitter indicou a leitura como um livro hilário que se passa no Nordeste. Amo histórias que se passam no Nordeste atual, amo mais ainda livros engraçados e a coroação do meu interesse foi o fato de estar por apenas 6 reais na loja Kindle. Se eu pudesse apoiaria muito mais autores independentes, mas a grana é curta, então só acontece de vez em quando e fico muito feliz quando acontece. Mas vamos ao livro.

Enquanto Eu Não Te Encontro narra a história do Lucas, um universitário que vive em Natal, no Rio Grande do Norte, dividindo apartamento com seu melhor amigo de infância, Eric. Os dois saíram de uma cidade pequena do interior do estado para estudar na capital e lá puderam finalmente expressar sua sexualidade livremente (os dois são gays). A capa faz referência ao filme Titanic porque o enredo quase inteiro se passa numa noite em que o Eric e o Lucas vão a uma boate temática chamada Titanic que está sendo inaugurada na cidade. Na boate, o Lucas conhece o Pierre, que é meu personagem favorito do livro e também interesse amoroso do Lucas, mas pra não dar spoiler demais vou só dizer que os dois tornam o livro uma comédia romântica muito gostosa de ler.

Antes de qualquer comentário mais crítico, é preciso deixar claro que esse é um livro independente, que não passou por um processo de revisão e preparação editorial profissional e, além de tudo, também é a obra de estreia do autor. Com isso em mente, é preciso relevar alguns defeitos do texto que seriam resolvidos com um tratamento profissional e focar na narrativa em si e nas suas possibilidades. O primeiro ponto que quero destacar é que história é hilária, me fez rir alto várias vezes, e adorei ver as gírias do Nordeste sendo representadas em livro jovem. Na verdade, o ponto forte desse livro é ser um “YA” que fala português brasileiro e não se prende a nenhum dos clichês do gringos do gênero que tanto me incomodaram em outras incursões em livros jovens brasileiros. Ele também supera os estereótipos da representação do Nordeste e de romances gays em livros, o que obviamente é positivo. Além disso, a narrativa é fluida e envolvente e o narrador é agradável. Também gostei muito do final do livro, que deixa várias coisas em suspenso e uma expectativa de continuação.

Em resumo, esse é um livro que teria muito potencial pra virar um Com Amor, Simon brasileiro se recebesse investimento suficiente, uma revisão e produção editorial cuidadosas, que ajudassem a podar aspectos um pouco exagerados e a desenvolver outros aspectos que já são bons mas poderiam ser melhores. Mas é óbvio que apostar em um livro que já vem de fora com uma legião de fãs é bem mais fácil do que investir em uma obra nacional de um escritor estreante, ainda mais fora do eixo Rio-São Paulo. A trajetória do Pedro Rhuas pra se publicar, primeiro no Wattpad, depois em autopublicação na Amazon, é a única escolha da maioria dos escritores brasileiros contemporâneos que estão começando uma carreira e alguns deles dão a sorte de conquistarem leitores e fazerem barulho o suficiente pra chamar a atenção de alguma editora e obterem uma publicação tradicional, como foi o caso do Juan Julian com seu livro Querido Ex, mas esses são raríssimos, um ponto fora da curva que depende de muitos golpes de sorte pra driblar a falta de divulgação.

Enfim, torço pra que Enquanto Eu Não Te Encontro seja encontrado por alguma editora que o ajude a alcançar seu potencial total e quero muito rir horrores de novo com a continuação. Ele foi a leitura perfeita pro momento que eu estava passando nessa vida bandida de leitora, então se você também está precisando de algo leve e engraçado, ele é a pedida perfeita.

Blá, blá, blá: O conteúdo que queremos consumir sobre livros

Quando eu era criança tudo que eu mais queria era conhecer pessoas que também gostassem de ler pra poder falar com elas sobre os livros que eu lia. Na vida real isso demorou muito pra acontecer (na verdade, só aconteceu quando comecei a estudar Letras na faculdade), mas na internet eu encontrei a sensação de comunidade com amantes de livros como eu relativamente cedo. Naquela época a internet era um lugar diferente, bem mais inocente, e as pessoas tinham blogs e escreviam resenhas! E ninguém se incomodava de que aquela resenha falasse somente sobre um livro porque se você conhecesse o livro sobre o qual a resenha falava podia comparar sua opinião sobre ele com a do autor, e se não conhecesse podia pegar uma recomendação de leitura que talvez fosse lhe interessar. Hoje ninguém mais escreve ou lê blogs e a principal mídia sobre livros é o booktube e as pessoas por lá fazem vídeos de leituras do mês citando 9 ou 10 livros lidos, e não fazem resenhas porque ninguém quer assistir alguém falando sobre um livro só.

Isso não é uma crítica às pessoas que fazem esse tipo de vídeo, porque elas estão apenas fazendo o que é necessário pra sobreviver na plataforma, trata-se de uma reflexão sobre o tipo de conteúdo que queremos consumir sobre livros, sobre o tipo de comunidade que queremos criar em torno da leitura e o tipo de conversas que queremos ter sobre o assunto. Quando as pessoas consomem apenas vídeos sobre um monte de leituras (quanto mais melhor), fica a impressão de que o que importa é ler o máximo de livros possíveis e não perder muito tempo discutindo ou pensando sobre eles, mas o que eu gostava na ideia da comunidade de leitores que a internet me proporcionou era a oportunidade de escrutinar os livros com outras pessoas e falar sobre tudo o que pudesse ser extraído disso, era a alegria de encontrar conteúdo sobre algo que eu gostava, fosse derivativo ou apenas opinião, e expandir meu tempo com aquele algo.

Então acho que o que estou tentando fazer aqui é pensar sobre as motivações pra essa tendência de quanto mais livros melhor. Eu considero agradável ver uma pessoa falar sobre muitos livros porque me permite conhecer por alto coisas que de outra forma provavelmente não conheceria, mas ao mesmo tempo eu não estou conhecendo de verdade esses livros, porque o máximo que dá pra falar em vídeos ou posts sobre muitos livros é uma opinião superficial que é quase equivalente a uma sinopse rápida e a um “gostei” ou “não gostei”. Mais uma vez, eu entendo que as pessoas produzam esse tipo de vídeo porque aparentemente essa é a demanda, mas não entendo porque a demanda é apenas disso. Depois de um tempo consumindo apenas esse tipo de conteúdo eu fico saturada e acabo querendo uma boa e velha resenha, só que parece que esse não é o caso com todo mundo. E vejam bem, não é que eu queira uma mega profundidade teórica nos comentários das pessoas sobre livros, até porque se eu quisesse isso leria artigos científicos, eu sinto falta até mesmo de me divertir com um comentário engraçado mais longo sobre determinado livro ou determinados trechos.

Talvez eu seja ranzinza e não entenda as novas tendências. Talvez eu tenha que me conformar em ter que procurar cada vez mais fundo na internet pra encontrar um conteúdo um pouco mais aprofundado sobre livros, mas que ao mesmo tempo não seja acadêmico. Talvez a internet, os leitores e a relação com os livros e as opiniões tenham mudado. Mas quero agradecer aos que ainda se debruçam e se aprofundam em uma opinião sobre uma leitura e me apresentam livros e ideias muito diferentes do que eu normalmente leria.

Tag: 50% (2020 Edition)

Mais um ano de leituras expostas nesse blog e mais um ano da tag dos 50%, que é um dos meus posts fixos preferidos. Antes de mais nada, quero falar sobre a minha frustração terrível de os três meses confinada em casa não fizeram muita diferença na minha quantidade de leituras, que continuou bem abaixo do que eu queria, mas mesmo assim houve uma evolução enorme na qualidade das minhas leituras, tanto é que quase não abandonei nenhum livro esse ano (na verdade tecnicamente ainda não abandonei nenhum, porque vou voltar pro livro novo da Suzanne Collins agora que saiu em Português).

1. O melhor livro que você leu até agora, em 2020

O melhor livro que eu li até agora esse ano foi Matadouro 5 do Kurt Vonnegut, que é um dos livros mais necessários, lúcidos e terrivelmente hilários que eu já li. Mas ele não foi o meu livro preferido do ano, porque Pessoas Normais da Sally Rooney me tocou em lugares especiais por retratar essa juventude fragmentada e incomunicável da qual eu faço parte e me fez chorar em posição fetal por horas. Então ficam citados e recomendados os dois: um pra se você quer ler os grandes livros fundamentais da literatura (especialmente sobre guerra, porque desconfio seriamente que esse é o melhor livro sobre guerra já escrito) e o outro pra se você quiser ver os nossos tempos refletidos num romance do jeito mais honesto e vulnerável possível.

2. A melhor continuação que você leu até agora, em 2020

Eu não sei se isso conta, mas a única continuação que eu li esse ano foram os volumes de Essex County do Jeff Lemire. Essex County é uma trilogia composta por Tales From The Farm, Ghost Stories e The Country Nurse e das duas continuações a melhor e que eu amei profundamente é Ghost Stories. Ela conta a história de um idoso surdo que rememora sua vida, principalmente o período em que jogou hóquei com o irmão em um grande time do Canadá e como as escolhas que fez nesse momento determinaram a vida solitária que levou posteriormente.

3. Algum lançamento do primeiro semestre que você ainda não leu, mas quer muito

Se você levar em conta o fato de que ainda não terminei de ler The Ballad of Songbirds and Snakes da Suzanne Collins ele podia ser uma boa resposta pra essa categoria porque ainda quero muito terminá-lo, mas de livro que nem cheguei a começar o lançamento do primeiro semestre pelo qual eu mais me interessei foi o The House in The Cerulean Sea do T.J. Klune, que promete tudo que eu mais amo na vida: personagens sem parentesco biológico que se consideram família, vilões que no fundo são manteigas derretidas e um monte de crianças e adultos socialmente desajustados. O único defeito prévio dele é que tem trocentas páginas e eu sou péssima pra ler calhamaços, mas vamos na fé.

4. O livro mais aguardado do segundo semestre

Um livro que eu venho citando há dois anos nessa categoria (e poderia estar citando há cinco) é Os Ventos do Inverno do George R. R. Martin QUE CONTINUA SEM SER PUBLICADO (continuo acreditando na teoria da conspiração de que ele na verdade não tá escrevendo porcaria nenhuma, mas isso são outros quinhentos), mas gente, hora de confessar os guilty pleasures: estou mega curiosa com Midnight Sun, que vai ser publicado pela Stephanie Meyer em agosto. Eu nunca li a saga Crepúsculo inteira, mas por alguma razão li os capítulos vazados de Midnight Sun e achei extremamente divertido, então quero ver no que vai dar, tantos anos depois.

5. O livro que mais te decepcionou esse ano

Por incrível que pareça não concluí nenhuma grande decepção esse ano: li vários livros incríveis e outros bons, mas nenhum extremamente decepcionante. O único que está sendo anticlimático pra mim é o ainda em andamento The Ballad of Songbirds and Snakes da Suzanne Collins, que tem um ritmo beeeem lento e um excesso de descrições muito frustrante, além de não contar a história que eu imaginava que ia contar, mas vou ter que ler até o fim pra dar um veredito definitivo.

6. O livro que mais te surpreendeu esse ano 

Matadouro 5 do Kurt Vonnegut subverteu minhas expectativas em muitos sentidos, principalmente no humor negro e na autodepreciação do autor, mas a minha maior surpresa do ano foi Luzes de Emergência se Acenderão Imediatamente da Luisa Geisler, porque eu esperava um livro adolescente bem nos moldes do YA americano e recebi um livro inegavelmente brasileiro (especialmente na linguagem muito mais próxima da forma que falamos e escrevemos comumente do que eu jamais li em livros contemporâneos), que segue uma estrutura inesperada que mistura cartas e capítulos narrados por personagens aleatórios e que tem um realismo quase desconcertante.

7. Novo autor favorito (que lançou seu primeiro livro nesse semestre, ou que você conheceu recentemente) 

Eu descobri vários autores que pretendo continuar lendo e sobre os quais vou falar no meu outro post fixo de meio de ano sobre autores descobertos, mas a minha preferida foi a Sally Rooney. Ela tem uma escrita incômoda, quase fria, mas muito contundente ao mesmo tempo, que te pega de surpresa falando sobre coisas que em geral não temos coragem de admitir nem pra nós mesmos, e imagino que isso seja elevado à máxima potência no seu livro de estreia, Conversas Entre Amigos, e por isso quero muito lê-lo.

8. A sua quedinha por personagem fictício mais recente 

Não tem pra ninguém além do Connell de Pessoas Normais da Sally Rooney nessa categoria. Eu não li muitos livros com personagens crusháveis esse ano, então o Connell provavelmente ganharia por falta de competição de qualquer forma, mas o fato de ele ser multifacetado e realista e crível e mesmo assim ser apaixonante diz muito sobre a intensidade desse livro. Ele é o tipo de homem que sente coisas quando lê que o Senhor Knightley beijou a mão da Emma, o que faz com que eu perdoe qualquer bobagem que ele fez ao longo do livro, porque a sensibilidade e vulnerabilidade dele no geral são extremamente tocantes pra mim. E a escolha do Paul Mescal pra interpretá-lo na adaptação pra série de TV só cimentou esse amor porque ele é um ator excelente que soube trazer todas essas nuances pra tela. O Gilbert de A Moradora de Wildfell Hall da Anne Brontë também merece ser citado como crush literário recente porque ele é bem o ideal clássico de homem: forte, viril, trabalhador e honesto, e ainda aparece nas paragens isoladas em que a protagonista se esconde pra salvar ela de uma vida de viúva de marido vivo.

9. Seu personagem favorito mais recente 

Quando eu penso nos meus personagens favoritos mais recentes o que me vem à mente primeiro são os coadjuvantes de Matadouro 5 do Kurt Vonnegut, como o pobre Edgar Derby, o hilário Kilgore Trout e o ex-oficial fã de Kilgore Trout que o protagonista Billy Pilgrim conhece no hospital psiquiátrico. Todos eles contribuem imensamente pra esse livro ser um retrato tão lúcido sobre o absurdo da guerra e um exercício literário tão engraçado ao mesmo tempo.

10. Um livro que te fez chorar nesse primeiro semestre

Eu chorei muito com Pessoas Normais em vários momentos que talvez nem tivessem a intenção de fazer chorar, mas como já citei ele em quase todas as respostas da tag, vou falar sobre o livro que me fez chorar mais recentemente, que foi O Castelo de Vidro da Jeannette Walls. Chorei de soluçar em todos os momentos em que a relação da autora com o pai, complicada, bonita e dolorosa, tinha algum momento especialmente simbólico.

11. Um livro que te deixou feliz nesse primeiro semestre

Apesar de ter uma história bem trágica, Destino Adiado do Jean Pierre-Gibrat me deixou bem feliz por conta das ilustrações maravilhosas e da espécie de nostalgia que voltar a ler sobre a Segunda Guerra Mundial me deu. Também fiquei muito feliz em me reencontrar com as irmãs Brontë em A Moradora de Wildfell Hall e mais feliz ainda de conseguir terminar meu primeiro calhamaço em anos.

12. Melhor adaptação cinematográfica de um livro que você assistiu até agora, em 2019

Óbvio que foi Normal People, mas como já falei 500 vezes sobre o livro e a série aqui no blog vou fazer menção honrosa pra Little Women dirigido pela Greta Gerwig e pra Fever Pitch QUE EU AMEI INESPERADAMENTE. Little Women consegue o feito raríssimo de ser melhor que o livro que lhe deu origem, além de conseguir atualizá-lo sem perder a essência da história. Ele também tem roteiro e atuações impecáveis e eu queria que esse mesmo elenco e a Greta pudessem fazer todos os filmes do mundo. Já Fever Pitch é baseado em Febre de Bola, do Nick Hornby, que eu não li. Não esperava nada desse filme e fui muito positivamente surpreendida pelo fato de ele preservar o humor ácido do Nick ao mesmo tempo em que se entrega a uma ode estranhamente tocante ao futebol.

13. Sua resenha favorita desse primeiro semestre (escrita ou em vídeo)

A resenha que eu mais gostei de escrever foi a de Matadouro 5 (tanto o post que fiz quando ainda estava lendo quando o de quando terminei de ler) do Kurt Vonnegut porque estava tão empolgada com a leitura e ela tinha me feito pensar em tantas coisas que eu me senti quase febril enquanto escrevia. Então se você não viu esses posts e se interessa por livros sobre guerra, humor negro, viagens no tempo, um pouco de non-sense e resenhas muito enraivadas com o fato de a História sempre se repetir, se jogue neles. Já de resenhas que eu assisti/li, eu amei as resenhas de Meu Ano de Descanso e Relaxamento da Ottessa Moshfegh e de Sobre os Ossos dos Mortos da Olga Tokarczuk (ambos livros nos quais eu não tinha grande interesse até assistir as resenhas) que a Aline Aimee fez no canal dela, e a de Black Out/All Clear da Connie Willis que a Coruja fez no blog dela, Coruja em Teto de Zinco Quente, que eu deixei linkada porque é um prato cheio pra quem gosta de história e literatura.

14. O livro mais bonito que você comprou ou ganhou esse ano.

Com certeza foi a edição de Persuasion da Jane Austen publicada pela Sterling Publishing Co, que tem uma jacket lindíssima com uma pintura em tons pálidos de azul que combina muito com o enredo, e que vocês podem ver no top 5 de livros mais bonitos da minha estante que eu fiz recentemente.

15. Quais livros você precisa ou quer muito ler até o final do ano?

Continuo tentando ser realista e não criar metas que certamente não vou conseguir cumprir, por isso todos os livros que vou citar agora já foram citados em outros posts de metas para esse ano no blog.

A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes – Suzanne Collins

Eu estou por volta de 15% da leitura do e-book então a meta aqui é concluir a leitura, o que está sendo um desafio porque além de ser um tijolo o livro também é bastante lento, mesmo assim continuo curiosa pra saber o desenvolvimento que a Suzanne vai dar ao Snow e os sofrimentos que eu vou ter que passar nas mãos dela (gosto de ser maltratada por essa saga), então vou insistir até terminar.

Um Teto Todo Seu – Virginia Woolf

O fato de eu ser uma pessoa com extremo interesse na relação entre feminismo e literatura e nos limites historicamente impostos às escritoras e de já ter esse livro na estante há anos e mesmo assim não tê-lo lido está no top 3 maiores vergonhas literárias da minha vida. Quero desempacá-lo e discutir essas questões por aqui mais uma vez, como já fiz quando li Profissões Para Mulheres e Outros Artigos Feministas da mesma autora.

Maus – Art Spielgeman

Coloquei algumas HQs como opção na minha meta de leitura pra 2020, mas entre elas a que eu mais tenho vontade de ler no momento é Maus, que é um clássico das graphic novels indiscutível e intocável e que casa muito bem com o renascimento do meu interesse pela Segunda Guerra Mundial.

Juliet, Nua e Crua – Nick Hornby

Eu preciso matar a saudade do Nick esse ano.

Americanah – Chimamanda Ngozi Adichie

Esse é o livro que eu acho menos provável que eu realmente consiga ler, mas a gente se ilude mesmo assim. Ele parece interessantíssimo e eu morro de curiosidade pra conhecer uma Chimamanda mais madura, mas o número de páginas me abala, então vou precisar de muita força de vontade pra me comprometer com essa leitura.

O Que Li Nos Últimos Tempos #37: O Castelo de Vidro – Jeannette Walls

Eu tinha uma ideia completamente diferente de como seria a minha resenha desse livro quando o terminasse. Planejei fazer várias piadinhas com o fato de tê-lo finalmente desencalhado da estante, mas esse livro me destruiu no final de diversas maneiras, de modo que não vou conseguir fazer piadinhas e também não vou conseguir falar distanciadamente sobre ele.

A primeira vez que vi esse livro foi há 12 anos, em uma revista Época que o patrão do meu pai assinava e deixava no apartamento em que passava os domingos com a esposa e que eu e minha mãe limpávamos milimetricamente todos os sábados. Na época a revista tinha uma seção sobre literatura que apresentava lançamentos e listas de mais vendidos e lembro de ter visto e imediatamente desejado ler O Castelo de Vidro porque já naquela época eu adorava livros sobre famílias e já me identificava com a premissa de pais não muito convencionais. Por seis anos guardei a lembrança do livro e o desejo de comprá-lo, até que finalmente pude fazer isso e então passei mais seis anos sem tirá-lo da estante.

Mas vamos ao que interessa, como comentei no meu post preliminar sobre ele, O Castelo de Vidro é autobiográfico e conta as memórias da autora, Jeannette Walls, sobre a sua família. Os pais eram duas das figuras mais improváveis que se pode imaginar: ele, nascido numa família de rednecks racistas, era um homem aventureiro e fanfarrão que gostava de ler sobre física e ciências exatas e que tinha grandes planos de ficar rico descobrindo ouro e de construir um castelo de vidro no deserto para morar com a família; ela era uma mulher provinda de uma família de posses, que se formou professora mas sempre odiou a profissão e queria ser pintora. Os dois tinham, ao princípio, três filhos: Lori, Jeannette e Brian. A família se mudava constantemente durante a infância de Jeannette, de uma minúscula cidade poeirenta no deserto para outra, fugindo não se sabia do que, ou talvez procurando aventuras. Eles nunca podiam se apegar a bens materiais porque acabavam tendo que deixar até seus pertences mais queridos para trás em fugas no meio da noite em carros caindo aos pedaços. As crianças também viviam cheias de cicatrizes e ferimentos e desenvolveram habilidades que outras nem sonhariam em ter por conta da negligência dos pais que acreditavam que eles deviam ser autossuficientes desde cedo. Eles tinham que se defender sozinhos de assediadores, de outras crianças violentas, de ratos, baratas e todo tipo de peste surgida nos lugares insalubres em que moravam, e muitas vezes tinham que se virar sozinhos pra encontrar comida nos longos períodos em que o pai não conseguia emprego.

Os momentos de privação e sofrimento, no entanto, eram intercalados com momentos em que o pai lhes dava estrelas do céu do deserto de presente, ou lhes ajudava a caçar os demônios que os aterrorizavam à noite, ou a escrever cartas para editores de dicionários discordando das definições. Ou ainda momentos em que a mãe, criativa e firme defensora da arte, lhes estimulava a ler, a pintar e a não serem preconceituosos. Porém, conforme as crianças e os problemas crescem todas as tendências negligentes e autodestrutivas dos pais se multiplicam, até que eles se veem obrigados a se virarem sozinhos para conseguir fugir e sobreviver longe dali.

Eu acho que uma pessoa que não teve uma vida como a minha, semelhante em muitas maneiras à vida que a Jeannette levou na infância, com muitas mudanças, pobreza e um pai com grandes sonhos impossíveis e aterrorizado por demônios pessoais que o impedem de levar uma vida normal, não iria se sentir tão tocada por esse livro quanto eu me senti, não iria chorar pela percepção da Jeannette de que o castelo de vidro que seu pai ainda lhe prometia mesmo quando ela já tinha 17 anos nunca seria construído, ou pela revelação de que a única saída pra não afundar e ter um futuro, por mais que você ame aquelas pessoas ou se sinta mal pelo sofrimento que vai lhes causar, é ir embora. Mas eu me vi ali em vários momentos e chorei de soluçar ao ver tão honestamente retratadas as dores de ter que crescer muito mais independente do que as crianças ao seu redor, de sentir que você precisa cuidar dos seus pais quando deveria ser o contrário, e de descobrir que seu pai não é o super homem que você sempre acreditou e que você tem que ir embora, tem que ir embora o mais cedo possível, por mais que os ame e aceite e entenda os defeitos que outras pessoas não conseguem entender.

Também me vi representada na sensação de não pertencimento que vem de ser muito pobre mas ter interesses e uma criação diferente do que se relega aos pobres. Assim como Jeannette eu lia muito e meus pais valorizavam as coisas intelectuais em detrimento das materiais, o que fazia com que eu sentisse certa superioridade por entender e me importar com coisas mais “elevadas”, mas ao mesmo tempo uma imensa inferioridade porque mesmo assim eu era uma criança pobre cujos pais não se importavam com a aparência e faziam essa pobreza se tornar mais evidente.

Mas a minha identificação terminou ali, pois há inúmeras experiências extremamente chocantes descritas nesse livro pelas quais eu (ainda bem) nunca tive que passar, mas que tornaram essa leitura muito intensa e rica, apesar de pesada em diversos momentos, e que ilustraram o quanto o amor familiar é cheio de camadas, cruel e inescapável.

Deixando de lado toda essa autoanálise terrível que o livro me provocou, passemos para os aspectos de escrita. Os capítulos são muito curtos e a Jeannette tem a habilidade (ou talvez uma editora muito boa) de saber exatamente o quanto falar sobre determinada fase de sua vida para não tornar a leitura cansativa sem se deter em detalhes desnecessários, de modo que o ritmo é incomumente rápido para um livro de não-ficção, o que acho que contribuiu pra ele ter vendido tanto. A autora também não se perde em divagações ou julgamentos, a maior parte da narrativa se concentra nas ações e reações tão necessárias para que pessoas tão vulneráveis continuassem sobrevivendo. A tradução e a revisão poderiam ser melhores, mas não chegam a incomodar. E apesar de se tratar de uma história recheada de sofrimento, a Jeannette não demonstra autopiedade e isso torna algo que podia ser apelativo e melodramático em uma narrativa honesta e direta.

Resumindo, recomendo demais se você se interessa por esse tipo de livro e me arrependo muito de não tê-lo lido antes, porque houve momentos anteriores da minha vida em que eu teria me beneficiado muito pessoalmente da história da Jeannette.